13/02/2017

Ela e seu coração confuso que não sabe se deve ama-lo



Ele não se encaixava em nada do que um dia ela sonhou em ter. Ela tinha na cabeça certo padrão estabelecido e consagrado há anos, tinha seu estereótipo favorito que fazia parte dos sonhos que tinha diversas noites por mês. De acordo com ela o seu cara não tão perfeito assim tinha que ter uma pele meio pálida, cabelos negros cortados baixinho, mas jamais careca, com olhos castanhos escuros, barba por fazer, um sorriso que mostrava dentes brancos e alinhados, além de um rosto em formato quadrado.

E no restante do corpo ele devia ter ombros largos e que o tronco fosse proporcional as pernas, porque não se atraia em nada por homens estilo sorvete. E que suas roupas não fossem caras demais, pois se andasse por aí exibindo marcas e logotipos era sinal de tentar parecer o que não era, e a última coisa que ela queria era um manequim humano andando para chamar atenção para si. Que ele fosse simples, mas não andar com roupas com furos e manchas de creme dental, e tinha que ser perfumado, mas não com cheiro amadeirado e nem cítrico.

Sim. Essa mocinha é bem exigente e não me surpreende que esteja solteira desde o dia que sua mãe a botou no mundo. E nem que não havia sido beijado por garoto nenhum. Mas ela dizia que havia escolhido esperar, porém chegou a refletir sobre isso e pensou que ás vezes nem era questão de escolha e sim falta de pessoas que a quisessem. Pois parecia que ela era invisível, ninguém a olhava a desejando, ela era a menina amiga, conselheira, inteligente e engraçada, mas não era a menina sensual, provocativa, bonita e cheia de pretendentes.

Mas parecia que algo estava mudando, ela sentia, não sabia como, porém tinha uma coisa que parecia dizer que seus dias solitários estavam chegando ao fim. O problema era que não era nada do que ela sonhou um dia, não fazia parte dos seus padrões, gostos, preferencias e vontades, ele era o oposto do que ela queria, e isso não era justo segundo ela, porém parecia que não havia alternativa. E ela ponderou sobre isso, será que não estava vendo coisas demais onde não havia nada? E se apegando a um raio de sol como se ele fosse o único a lhe dar algum brilho no meio da nevasca?

É certo dizer que ela devia abandonar suas ilusões infantis, abrir os olhos e olhar em volta com maturidade, deixar de ser a adolescente apaixonada pelo ator principal, e ser a adulta que encara a realidade com verdade e menos criticidade. Tinha que diminuir suas irônicas e sarcasmos, ficar afastando a todo custo quem tentava se aproximar, abrir o coração e dar uma chance a quem está tentando ao menos uma amizade sincera. Porém ela tinha medo de errar de novo, de chorar, de gritar sem voz e querer morrer.

Já tinha sido machucada tantas vezes, mesmo que não estivesse propriamente em um relacionamento, mas já sofreu a dor de promessas, de confiar demais, abrir o coração e não receber nada além de mentiras. Cansou de ser a menina que é deixada por último, aquela que fica na fila por tempo demais e quando chega sua vez já acabou o que tinham para ela. Estava triste por ser só, porém via nisso um refugio e preservação das partes ainda intactas.

De acordo com ela tinha que se cuidar sim, proteger sim, se esconder sim, que ele fosse e batesse na porta quantas vezes quisesse porque ela não abriria para qualquer um. Tinha que ser o cara dos sonhos senão preferiria ficar só como sempre foi, e não devia se precipitar e escolher a pessoa errada, porque talvez o seu homem poderia estar a semanas de distancia e quando a visse com outro iria dar meia volta e ir embora.

Além de que tinha Deus no relacionamento, não era só ela e mais um cara, mas era ela, o cara e Deus. Não poderia aceitar menos do que Deus queria para ela, mas também não poderia se fechar e não querer o que Deus havia mandado e ela se recusava a receber. Por isso estava tão confusa, pensativa, reflexiva, não sabia o que fazer, se tinha que esperar, continuar só, ou falar que sim e que tudo bem, vamos tentar.

Estava com tanto medo de dar o passo errado, mas também estava com mais medo ainda de não dar passo nenhum e esse ser o fim da sua felicidade que nem chegou a começar. O que fazer quando não se pode confiar em si mesma? Não há mais nada a fazer senão orar, porque apenas Deus tem a resposta para esse coração confuso que não sabe em quem acreditar, se em si mesma ou nas opiniões dos seus amigos e familiares, ou se a pessoa que se dispõe a se aproximar aos poucos querendo um pouco do seu amor guardado a sete chaves.


Porque orar é confiar em quem sabe de tudo e reconhecer que apenas Ele conhece o futuro, assim sabe qual é o melhor caminho a seguir, se é essa a pessoa mesmo ou se deve esperar por outra. Porque Deus faz além do que pensamos e ousamos imaginar, porém Ele nos dá o que precisamos e que nos irá fazer feliz, e não o que queremos que pode nos provocar uma dor imensa. Então orar, confiar, esperar e dizer sim aqui na Terra quando Ele já disse sim lá do céu. 

Escrito por: Tatielle Katluryn


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