03/07/2017

Limitamos Jesus a aquilo que ele faz e deixamos de conhecer seu coração nessa busca por suas mãos



“Jesus pegou os cinco pães e os dois peixes, olhou para o céu e deu graças a Deus. Depois partiu os pães e os entregou aos discípulos para que eles distribuíssem ao povo. E também dividiu os dois peixes com todos. Todos comeram e ficaram satisfeitos.” (Marcos 6:41,42). Havia cerca de cinco mil pessoas em torno de Jesus e de seus discípulos. Pessoas que seguiram o Mestre até o deserto para receberem algum milagre e providência. Pessoas que saíram de suas casas, obrigações e responsabilidades porque precisavam de algo que apenas Jesus poderia lhes dar. Alguns queriam ser curados da cegueira, outros queriam que espíritos malignos fossem expulsos dos corpos de quem eles amavam, dentre outros milagres. Mas e se Jesus não os curasse? E se Jesus não tivesse multiplicado os pães e os peixes? Aquela multidão ainda o seguiria aonde quer que Ele fosse? Ainda acreditariam que Ele era o Filho de Deus?

E se Jesus ao invés de fazer algo em prol das pessoas Ele pedisse que elas fizessem algo por Ele? Se Jesus ficasse de pé e gritasse o seguinte: “Hoje não farei milagres, mas estarei aqui caso vocês queiram me conhecer. Estarei aqui se vocês quiserem saber o que eu penso, aquilo que eu sinto. Se estiverem curiosos sobre o Reino de onde eu vim podem me fazer perguntas. E se quiserem ouvir as canções que as estrelas cantaram para mim na fundação do Universo eu irei entoa-las para vocês. Estou aqui e permito que vocês saibam quem eu sou e que me vejam com outros olhos, que vejam meu coração e não apenas minhas mãos que podem cura-los. Então, vocês querem a mim ou ainda querem o que eu posso fazer?”. Certamente a multidão ficaria em silêncio. Poderia se ouvir o som do vento empurrando a areia para uma direção. E talvez de um a um eles fossem levantando e indo embora de volta para suas vidas incrivelmente normais.

Talvez Jesus ficasse completamente sozinho, pois quem sabe até mesmo seus discípulos achassem absurda aquela ideia e fossem também embora. Jesus ficaria no monte e oraria a Deus como era de seu costume, mas creio que sua oração daquela noite seria com um coração triste que se rasgando ao meio pediria ao Pai que perdoasse tais pessoas, pois não sabiam Quem estavam desprezando. E nos tempos atuais? Bem, se no inicio de um grande culto festivo o pastor dissesse assim: “Irmãos, e se no final da pregação eu não chamar os enfermos aqui para a frente do púlpito para serem curados, vocês continuarão neste culto? E se eu disser que não os chamarei para receberem o batismo no Espirito Santo, e que assim vocês não falarão em línguas estranhas e nem irão saltar pela igreja, ainda ficarão em seus bancos? Mas se em vez disso eu propuser que cada um de nós aqui busque o coração de Jesus e não suas mãos que curam, e que busquemos também o Espirito Santo que é o Consolador e que seu consolo pode não te fazer chorar falando em mistério, vocês aceitarão? Vocês concordam em saber quem é Deus e o que Ele pensa e sente sobre nós?”.

Acredito que alguns irmãos achariam a maior heresia e blasfêmia tal pedido, eles sairiam da igreja clamando o sangue de Jesus e pedindo que o fogo caísse para consumir aquele pastor. Porque tanto antigamente quanto nossa geração de hoje em dia aprendeu que Jesus cura, Deus abençoa e o Espirito Santo é um arrepio, fogo e movimentação corporal. E de fato Eles fazem isso. Verdadeiramente Jesus cura, assim como Deus abençoa e o mover do Espirito Santo pode ser sentido através do seu batismo com fogo. Mas o nosso erro estar em limitar a Trindade a apenas essas atitudes. Limitamos Deus a aquilo que Ele faz e acabamos deixando de lado quem Ele é. Pois aquilo que uma pessoa faz e quem ela é estão relacionados e unidos, mas são aspectos diferentes. E o perigo estar em amar alguém porque ele nos faz algo e não ama-lo por quem ele é. E assim fazemos com Deus durante toda a nossa vida cristã. Nós vamos cultos de milagre, de batismo, de fogo, de poder, de unção, e tudo para buscarmos suas bençãos, mas os cultos de doutrina sobre a vida cristã e sobre explicar quem Deus é a luz da Bíblia podem ser vazios de pessoas.

É tão triste limitarmos um Deus infinito.  E nisso vejo o seu imenso amor por nós, pois apesar de saber que na maior parte das vezes vamos até Ele por querer algo e não por querer a Ele, continua nos abençoando. Jesus cura aqueles que O buscam mesmo se esses não tenham um relacionamento com Ele. Ele também perdoa, abre as portas e revela o futuro em forma de profecia. Deus continua fazendo coisas por nós porque o amor Dele é tão livre que não nos prende em quem Ele é, assim acabamos nos prendendo naquilo que Ele pode fazer. Mas viver assim é estar em um evangelho raso, é estar com Deus e não em Deus. Pois é possível passarmos nossas vidas indo a igrejas, nos intitulando cristãos, lendo e obedecendo aos mandamentos da Bíblia sem de fato conhecer quem é esse Deus. É incrivelmente possível sermos cristãos sem conhecer a Cristo e continuarmos a buscar o Espirito Santo como se Ele fosse uma energia que arrepia, que faz chorar e gritar.

Mas quem seremos nós se continuarmos limitando Deus ás atitudes Dele? E se formos além de seus afazeres e nos aprofundarmos em seus pensamentos? Por mais que eles sejam bem mais altos que os nossos. Por experiência própria, eu sei que é libertador desvincular a benção do Abençoador, mas não diminuindo aquilo que Ele faz em detrimento de quem Ele é, mas sabendo que há um Deus com sentimentos e vontades, e esse Deus faz coisas sobrenaturais e espetaculares com seres humanos pecadores que não merecerem nada. É continuar buscando aquilo que Jesus pode fazer, pois se eu preciso de um milagre que nenhuma pessoa pode me dar eu irei até Ele pedir, mas fazer isso ao mesmo tempo em que eu busco conhecer o seu coração que me ama tanto. É pedir ao Espirito Santo que me batize com fogo e me faça dizer línguas que não conheço, é pular em sua presença e me sentir leve, é correr desejando voar para o céu naquele instante, mas fazer tudo isso entendendo que Ele é Alguém que tem sentimentos e por isso não devemos entristecê-Lo.

E se basearmos nosso cristianismo em quem Jesus é, nós continuaremos firmes Nele mesmo que a cura não venha. Deus continuará sendo Deus para nós mesmo se a porta não abrir, mesmo que alguém que amamos venha a falecer de uma doença ou acidente. É acreditar que o Espirito Santo está aqui e comigo mesmo que não eu esteja chorando e nem balbuciando algo que eu não compreenda. Nosso amor será mais forte e não deixaremos de acreditar que Deus existe só porque nós oramos e Ele não atendeu nosso pedido. Mas acreditemos que Cristo vive mesmo que aquilo que mais pedimos que não acontecesse infelizmente ocorreu. Seremos mais apaixonados por Ele, mais apegados, mais agarrados em seu infinito amor, graça e compaixão. Pois se soubermos quem Deus é, quem Jesus e o Espirito são nós conheceremos de onde viemos, porquê viemos e para onde vamos. A nossa fé será firme na rocha e nenhuma tempestade poderá nos arrastar para incredulidade ou frieza espiritual.


Então que possamos acordar e buscar o coração do Deus que deseja ardentemente ser conhecido, que quer contar a nós aquilo que não sabemos, que quer revelar aspectos de sua criação que não entendíamos. Ele quer nos mostrar o que há por dentro e não apenas mostrar externamente a mão que entrega vitórias.  Ele quer que possamos busca-Lo em casa no nosso secreto mesmo que não sintamos nada Dele por uns dias. Ele quer que possamos ler a Bíblia e ir aos cultos não somete focados em receber, mas querendo dar nosso coração e adoração a Ele. Mas Deus não nos criou somente para a adoração, pois podemos adorar quem admiramos e não conhecemos pessoalmente, por isso Ele deseja filhos e não somente servos ou adoradores. Ele nos quer junto de seu peito, indo com fé sabendo que podemos receber ou não, que podemos ouvir ou não e ainda assim continuar O amando e acreditando que Ele existe. 


Escrito por: Tatielle Katluryn

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